Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

ALENTEJO II

Alentejo envolvente

de bailarinas espigas

fortes, grossas e esbeltas

ruburizantes, ao sol de estio…

Por sãos caules ostentadas

bordando campos e horizontes

suando labor

inspirando esperança!...

Alentejo brando e bravo

de saber, sabor e temperança!...

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 23:56
link | comentar | favorito

MIOLO DA IRA

Quem és tu?

Quem és tu, pretenso sábio, para me julgares?

Tu, de alma amargurada, que destilas indiferença e dor,

dor que não mata, mas magoa, desfigura e fere.

Respiras raiva, ódio, dor, despeito e agonia

e absorto, embrenhas-te a gastar tua vida

que já não sei se presta…

Fermentas a dor e amplias a tua solidão,

nessa agonia imensurável e tão nefasta.

Talvez por temeres que caia teu pano…

Talvez por temeres ver-te por outros olhos…

Talvez por sentires…

Não! Porque tu não sentes…

A tua alma exasperada arrasta-se pala vida

nesse teu destino inconfundível e bizarro.

Aras insensibilidades cortantes e infinitas.

Derretes o teu tempo agonizante

numa inebriante orgia dos sentidos,

numa qualquer noite vazia de calor e de luar

perfumada pelo cheiro macilento da borrasca infernal.

Transpira em teus poros o tempo agonizante

onde te perdes, em palavras, até mais não…

Aparências…

Talvez o pássaro branco seja a máscara da insensatez…

Afasta de mim o mal querer!

Afasta de mim a alma amargurada!

Afasta de mim a dor que desfigura e fere!

Afasta de mim a agonia nefasta!

Afasta de mim! Tudo o que esconda

afasta de mim…

Eu…

Quero apenas embriagar-me de vida e de saber,

quero apenas ver a borboleta que esvoaça meneante

voando como pena solta

na brisa doce que me envolve ao pôr do sol…

No fim de tudo, o que resta além de nada?

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 23:54
link | comentar | favorito

NEM GERMINAR DE HERA

Eu quero ser um pato bravo e voar para sul!

Não consigo vislumbrar um germinar

ainda que de hera…

As lágrimas que brotam dos olhos

perturbam a visão…

Há lágrimas que vagarosamente britam o rosto

e se aninham nas rugas feitas socalcos do tempo…

Assiste-se ao êxodo da sensatez

que ruma na direcção do vento,

que marcha à luz crua da lua,

e de um sol fanfarrão,

exibindo o pavonear de mãos cheias de nada,

na esmerada perfeição dos olhos eternos de uma escultura,

num exército a passo de ganso…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 23:51
link | comentar | favorito

ABANDONAI A NOITE

Abandonai a noite medonha e feia

estimada como preciosidade!

Que não medrem mais as faíscas gélidas

que aplaquem o desespero das almas famintas de luz

que cesse, na alma, a chuva estupidamente persistente

parecendo não abandonar o céu!

Deixai a pomba branca

partir rumo ao pôr-do-sol

onde um brilho de alegria, bailarino perfeito,

começa a florir

nos conquista e encanta

e proporciona um espantoso cenário…

Olhai a vida

como um navio de luz resplandecente

a rasgar as águas deste rio doirado…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 23:47
link | comentar | favorito

URGE

 

Apartai as pálpebras.

Descerrai o véu.

Olhai,

o vento gélido a chicotear as árvores

que se manifestam

num balido amedrontado,

num bramido pasmado.

Urge um rebelar contra as rosas de amianto,

urge, o não olvidar uma vida de nada,

urge o não pasmar

ante cristais de gelo penetrantes,

urge uma surpresa lúcida,

urge,

urge,

urge…

Baptizai a vida com um baptismo de primavera

mas não adormeceis

num arsenal de flores…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

 

publicado por Edite Gil às 23:44
link | comentar | favorito
Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

ALENTEJO I

A vida dorme na sarjeta, contemplando a solidão!...

A solidão no seu silêncio gritante,

num desabafo urbano…

A cidade grita!...

À força da raiva e da vontade

procuro respostas em forma de palavras,

tal é o compromisso com o alfabeto…

E elas surgem,

hesitantes com o peso da culpa…

Quero esquecer a cidade!...

Quero o Alentejo casto, tranquilo e sonhador,

ébrio de sol…

A maciez pincelada de crepúsculo…

O azul é maior e a noite dissipa-se,

o verde é mais verde…

As cores acordam

tal xaile de retalhos com as cores do arco-íris

toando um cântico de sol…

Preciso dessa luz que rasga e dilacera a solidão…

O meu ninho de sonhos

repousa nos braços de uma azinheira…

E se eu fosse ver, comigo, o sol nascer,

espreguiçando o rutilante imaginado…

Os planos brilhantes sucedem-se

entre espigas de silêncio, cruzando o espaço…

E sinto que se prolongam

as palavras de ternura da madrugada

na harmonia do bulício da folhagem ao ritmo do vento…

Sussurra o orvalho

tal prelúdio de um beijo…

E no irrequieto acordar do ribeiro

miro o meu rosto que dança,

reflectido na água…

Quero desenhar em meus olhos

a azáfama sonolenta do orvalho de aurora

na heróica planície

onde toco as nuvens e sinto a paz

que me transporta de mansinho

em pétalas soltas de poesia…

E vou além do infinito…

Infinitamente sedutora

e com lânguidos e alvos risos murmurantes

com beijos húmidos de espuma

retiro a poesia de um bolso

e imortalizo um império de sonhos…

Descasco as palavras e saboreio-as…

seu sabor

é o timbre de canoras carícias…

E prendo o olhar no horizonte

que emana do céu azul celeste!

Mas regresso ao vento que, ao soprar, me murmura destroços…

À cidade que grita!

Porque a maré,

Acaba sempre por voltar…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

 

publicado por Edite Gil às 12:25
link | comentar | favorito

DANÇA COMIGO

Conduz-me pela música

com teus movimentos de linguagem poética

gestos que seduzem

e despem a alma

envolve-me em acordes de ternura

hipnotiza-me com tua pele que exala sensualidade

tua mão aberta sobre as minhas costas desnudas

embota-me

quando me desenha a linha

dança comigo a sinfonia da ternura…

lábios procuram o pescoço

uma voz quente cicia ao ouvido

ensandeço…

suspiros…

carícias…

o beijo em silêncio…

dança comigo

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 12:21
link | comentar | favorito
Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

NA TAL...

NA TAL…

 

É Natal.

Natal!...

É na tal noite

natividade

em que o Menino nasceu

nessa noite em que a estrela riscou o céu

que os homens renovam os votos…

É na tal noite

que a palavra amor dança de boca em boca

mas gela no coração,

que a palavra perdão baila nos lábios

mas não baila com eles,

que a palavra oração, olvidada,

não é mais que mera palavra.

Na tal noite

natividade

que seja na tal noite

na tal noite

que seja Natal

 

 

Edite Gil

2009.Dez.20

 

publicado por Edite Gil às 23:55
link | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Janeiro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27

31


.posts recentes

. FIRMEZA

. ABONADO COLORIDO

. NOITE INVEJOSA

. AVESTRUZ

. SABOR DA LUZ

. ...

. MAR DISTRAÍDO

. ABANDONAI A NOITE

. SOLIDÃO

. ALTAS HORAS

. TROVADOR

. ERRANTE

. NADAR BEM !...

. VERSOS COM METÁFORAS

. A ALMA HABITUA-SE

. ORLAR DE CINTURA

. DÚVIDAS

. CAFÉ E WHISKY

. SOCALCOS DA ALMA

. TERNURA FEROZ

. SUSPIRO

. DELÍRIOS

. SILÊNCIO SILENCIOSO

. RELENTO

. CIRCUNSPECTO OU IMPRUDENT...

. MADRUGADA

. PALAVRAS DE VIDRO

. POEMAS DE PLÁSTICO, SEM C...

. FLORES NOVAS

. GOTAS

. MAR ALMIRANTE

. MUTILAR DO SONHO

. BRAÇOS DORIDOS

. PALAVRAS MUDAS

. CHAVE DICOTÓMICA

. AVIVAR O VENTO

. CONFESSO

. VETUSTA PÁGINA

. IGNOMÍNIOS VERBOS

. Lançamento do meu livro O...

. FADIGA

. SÓ NO DICIONÁRIO O SUCESS...

. REVOLTA

. TRIUNFO DA IRRACIONALIDAD...

. DEMANDA

. ENCRIPTADA

. AFIVELAR

. ESPERTINA

. POEMA VAZIO

. UMA ÁRVORE DE NATAL

.arquivos

. Janeiro 2012

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Julho 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds